AI First

Por que encerramos o home office na Fhinck há 2 anos (e por que...

Em 2023, a Fhinck encerrou o home office. Em 2025-2026, Nubank, Amazon e várias outras seguem o mesmo caminho. Por que essa decisão é especialmente crítica...

Por Paulo Castello6 min de leitura

Por que encerramos o home office na Fhinck há 2 anos (e por que outras empresas estão voltando agora)

Em 2023, contra a corrente da época, a Fhinck encerrou o home office. Em 2025-2026, Nubank, Amazon, Apple, JPMorgan, Goldman Sachs e várias outras seguem o mesmo caminho. Por que essa decisão é particularmente crítica em empresa AI First.

"Tem muita empresa colhendo bons resultados hoje, mas que não vai sobreviver aos próximos 5 anos, porque não construiu o alicerce certo. (...) Quando vejo movimentos como os do Nubank, Amazon e outras empresas voltando ao presencial, percebo que tomamos a decisão certa na Fhinck quando resolvemos encerrar o home office há dois anos."

— Paulo Castello, novembro de 2025

A decisão impopular de 2023

Em 2023, era controversa qualquer decisão de empresa de tech encerrar home office. Pandemia tinha "provado" que remoto funciona. Várias empresas competiam dizendo "somos 100% remote". Talento bom escolhia onde trabalhar baseado em política de remoto.

Nesse contexto, a Fhinck encerrou home office. Tomou crítica. Perdeu parte do time que não aceitou. Foi acusada de "passadista".

Em retrospecto, foi decisão estratégica certa — não por razões ideológicas, mas por uma razão muito específica: a empresa estava entrando em transição AI First profunda.

Por que transição AI First exige presença física

Em modo de operação estável (empresa que tem processo maduro, time grande, executando rotina conhecida), home office funciona muito bem. Times remotos entregam consistentemente.

Em modo de transformação profunda (empresa redesenhando modelo operacional, tomando decisões estratégicas pesadas semanalmente, integrando tecnologia nova em ritmo acelerado), velocidade de decisão sob ambiguidade radical é o gargalo.

Presencial ataca esse gargalo de quatro formas:

1. Conversas paralelas viram tomada de decisão

Em escritório, dois Fhinckers cruzam no café, discutem rapidamente um problema, fecham decisão em 10 minutos. Mesma decisão em remoto: pedido de reunião, agendamento, contexto recapitulado, decisão saída em 3 dias.

Em transição AI First, com dezenas de decisões por semana, essa diferença de velocidade vira diferencial competitivo brutal.

2. Cultura de Sharpening the Axe acontece mais profundo

Sexta-feira inteira em sala de aula juntos é experiência diferente de assistir Zoom. Discussão coletiva, hands-on em paralelo, observação do trabalho do outro — tudo isso é multiplicado em presencial.

3. Onboarding de novo Fhincker é dramaticamente melhor

Quem entra na Fhinck precisa absorver cultura específica, ritmo intenso, autonomia radical. Por osmose presencial isso acontece em semanas. Em remoto, leva meses — e às vezes não acontece.

4. Conversas difíceis acontecem melhor presencialmente

Em transição AI First, várias conversas duras: alguém que não está acompanhando, redesenho de função, eventualmente desligamento. Presencial preserva relação e dignidade. Remoto degrada.

O que mudou no mercado em 2024-2026

A decisão da Fhinck virou tendência:

  • Amazon (set/2024): Andy Jassy determinou fim do home office, citando necessidade de empresa "mais ágil, como startup", redução de burocracia, excesso de reuniões.
  • Apple (2024): retorno a 3 dias presenciais, evoluindo para 5 dias em várias áreas.
  • JPMorgan, Goldman Sachs (2024-2025): retorno 5 dias presenciais para diretores e seniores.
  • Tesla (sempre): nunca aderiu a home office, posição reforçada.
  • Nubank (2025): redução de remoto, mais presencial para times de produto e engenharia core.
  • Google, Meta, Microsoft (gradual): 3 dias presenciais, evoluindo para mais.

Mensagem do mercado em 2026: empresa que pretende liderar em IA está consolidando presencial como padrão, com remoto sendo exceção pontual.

Por quê? Mesma razão que fez sentido na Fhinck em 2023: velocidade de decisão sob ambiguidade radical.

Como Paulo respondeu na entrevista CBN sobre o tema

Em janeiro/2026, em entrevista na CBN sobre as demissões em massa do Itaú (relacionadas a essa transição), Paulo posicionou:

  • Demissão não é o fim do mundo, faz parte da dinâmica
  • Quem se reinventa, prospera
  • Empresa que continua tomando decisões de modelo de trabalho (presencial vs remoto) baseada em conforto de curto prazo vai sofrer
  • Empresa que toma decisão baseada em velocidade de transformação vence

Foi posição impopular, mas alinhada com o que estava observando no mercado.

A objeção mais comum (e a resposta)

"Mas o presencial não vai limitar nosso poço de talento?"

Sim, em parte. Pessoas que valorizam fortemente flexibilidade total não vão escolher empresa presencial.

E? A escolha de empresa AI First em 2026 não é maximizar "poço de talento total". É maximizar densidade de talento que aceita ritmo de transformação radical. Esses dois conjuntos são diferentes.

A Fhinck perdeu pessoas que valorizavam flexibilidade. Ganhou pessoas que valorizavam estar no meio da construção da primeira empresa brasileira AI First. Trade-off consciente.

O que NÃO é a tese aqui

Esse texto não está dizendo:

  • Que home office é mau em absoluto (não é — funciona em vários contextos)
  • Que empresa que faz remoto está condenada (não está — depende do contexto e da fase)
  • Que profissional remoto é menos comprometido (não é — é diferente)
  • Que retorno a presencial deve ser sem suporte (não deve — exige comunicação clara e tempo de transição)

O texto está dizendo: em empresa AI First em transição profunda, presencial acelera o que importa. Pode mudar quando empresa estiver em modo estável de operação.

Conclusão

A decisão de 2023 foi impopular na época. Em 2026, virou tendência consolidada do mercado.

Empresa que toma decisão de modelo de trabalho baseada em conforto vence só no curto prazo. Empresa que decide pelo que serve à transformação vence no longo prazo.

A Fhinck atravessou a transição AI First combinando decisões estratégicas duras (presencial, cortes, redesenho profundo) com humanidade (transparência, suporte, dignidade). Se quiser conversar sobre como aplicar no seu contexto, agende uma conversa.


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Paulo Castello

CEO & Founder, Fhinck

Conduziu a transição da Fhinck de empresa de Task Mining tradicional para AI First — de 50 para 6 pessoas com dobro do faturamento.

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