O Líder de CSC na era digital

Do dia para a noite, a tão falada transformação digital virou uma realidade para todos os líderes, gestores e empreendedores. Cansei de ouvir, “home office não dá, perderemos a produtividade”, mas de repente, as gerências e diretorias se rejuvenesceram, e a história não dá sinais de que pretende esperar quem nega a mudança que veio após o ano de 2020.

Durante esse período, entre reuniões, conversas e análises pessoais, pude perceber características comuns de líderes que se destacaram nessa fase. Neste artigo da Fhinck, reuni os 5 aspectos  de um líder digital, que assume riscos, que trabalha com dados, que ama feedbacks, que inspira e que sempre está em busca de atualização de seu conhecimento técnico, físico e espiritual.

1- Riscos

Em um mundo VICA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), não assumir riscos é sinal de estagnação, arriscar é parte do jogo da liderança, principalmente no momento em que vivemos. Talvez um dos maiores exemplos da nossa atualidade seja o CEO Elon Musk, que vem lançando suas espaçonaves e testando, gastando bilhões para tornar a humanidade interplanetária. A cada lançamento um aprendizado, a cada explosão milhões de dólares investidos no próximo lançamento. Segundo Musk, “quando algo é importante o bastante, você o faz mesmo que as probabilidades não estejam a seu favor”.

Obviamente, assumir riscos inerentes à inovação e riscos sem um claro propósito podem ser uma linha extremamente tênue. Seguir altos padrões de responsabilidade financeira e de compliance são o mínimo esperado de um líder na era digital – fazer o certo mesmo que ninguém esteja vendo – coragem e visão para ir além do óbvio, tarefa nada fácil.

2 – Data Driven

Logo que iniciei minha carreira na indústria automotiva, tive um líder alemão que repetia constantemente a frase “give me facts and figures” ou seja, “traga-me fatos e dados” a frase não é de hoje, mas nunca esteve tão atual. Nos dias de hoje, é uma obrigação do líder, além das habilidades interpessoais, saber trabalhar com dados.

Todas as empresas inovadoras e que mudaram o mercado nos últimos 10 anos, são data driven, sem exceção: NETFLIX, UBER, AMAZON a reinvenção da DISNEY, fora as inúmeras Chinesas como Xiomi, Hueweii entre outras.

De acordo com a Towards Data Science, desde 2019, 97% das empresas entrevistadas estão investindo em big data e/ou data Science em algum nível. Mas apenas 31% de seus colaboradores entendem que suas empresas são data driven. Para os colaboradores, esta baixa percepção de data driven se dá por conta da lentidão com que os fatos e dados efetivamente mudam os comportamentos das empresas onde eles estão.

Se o líder atual perceber que falta uma estrutura que empodere colaboradores (de analistas a diretores) com dados, então está aí uma excelente oportunidade para que você líder, tome a frente desta transformação.

3 – Feedback

De acordo com o fundador do FEM (Fórum Econômico Mundial), “o mundo precisa de líderes com inteligência emocional, que sejam capazes de criar e estar à frente de trabalhos cooperativos. Eles treinam, ao invés de comandar; lideram por meio da empatia, não pelo ego. A revolução digital precisa de uma liderança diferente e mais humana.”

Uma das palavras em alta no mundo corporativo é a colaboratividade. E não é à toa. Não há mais espaço para líderes que somente dão ordens e aguardam tudo pronto. Um líder colaborativo estará próximo da sua equipe, conhecerá as dificuldades dos funcionários e estará apto para ajudá-los a se desenvolver sempre e, consequentemente, entregar resultados cada vez melhores.

Dar e receber feedbacks têm muito a ver com isso. A prática do one on one, por exemplo, se espalhou por empresas de todo o mundo nos últimos anos: reuniões periódicas (semanais ou quinzenais) entre líderes e liderados. Apenas os dois, em um ambiente seguro, onde se pratique a crítica construtiva e a escuta ativa.

Sair da inércia em que as coisas entram em um ouvido e saem pelo outro, prestar atenção verdadeiramente, refletir sobre o que está sendo falado. O líder briguento, que grita e só sabe dar ordens, não só está ultrapassado, como simplesmente é inadmissível nos dias de hoje. O Líder digital não é bem aquele valentão das comédias dos anos noventa. Ele tem que amar dar e receber feedbacks e entender que esta arte não é algo negativo ou positivo, é algo construtivo para ambos os lados.

4 – Inspire

Dificilmente você irá se inspirar em um líder que não reconhece e admira. Para isso, é necessário estar atento aos seus discursos e promessas e lembrar que também está constantemente sendo observado e avaliado. 

Uma boa gestão de pessoas é em grande parte, sobre o sucesso dessas pessoas que você está gerindo. Você ganha quando encoraja um liderado a desenvolver  idéias que melhorem seu lucro, ou é capaz de prepará-lo para subir de nível e escalar sua carreira. Por outro lado,  esse mesmo colaborador pode tomar a decisão de se desligar sem grandes emoções, quando se percebe debaixo de um líder que pouco o reconhece e cumpre suas promessas..

Você já perguntou para seus liderados o que eles esperam da carreira? Quando este liderado respondeu, você foi honesto ao ouvir? Percebeu os esforços que efetivamente ele está realizando para almejar aquela determinada posição? Ajudou ele na construção? Elogie, crie um ambiente propício à experimentação, evite vaidades pessoais, inovação depende de um ambiente aberto e de confiança, sem ele, boas mentes se vão.

5 – Atualize-se

Recentemente me vi precisando de atualização de conhecimento sobre a ética no uso da inteligência artificial e big data, nos dias de hoje, com um pouco de investimento, você consegue encontrar cursos dedicados a sua necessidade. 

Fato é que um líder nos dias de hoje, carece de novos conhecimentos constantes, afinal, muitas vezes,  a equipe que ele lidera, já vem no modelo digital desde a infância e tem sagacidade por novidades. Se você continuar nos modelos mais antiquados, é possível que seus valores superem de longe o mundo digital, mas se pergunte, como ser inspiração para quem está a sua volta?

A palavra-chave aqui é reskilling, o processo constante de requalificar-se, adquirir novas habilidades e não deixar o bonde da história passar. Tanto as soft quanto as hard skills exigidas pelo mercado se transformam em uma velocidade que pode ser assustadora, e aquela velha história sobre ser um eterno estudante é a melhor defesa nesse caso.

 

Como se preparar?

Ninguém nasce pronto, ou mesmo está pronto. Desafiar o status quo (estado das coisas) e estar aberto a aprender dia após dia, é o que irá te transformar em um líder digital. Além disso, constantemente se pergunte como andam os cinco pontos apresentados aqui: Manter-se atualizado, ser data driven, inspirar, amar feedbacks, estar disposto a correr riscos.  Ler e estudar é um dos melhores caminhos para viver o constante processo de aprendizado exigido pelo mercado.

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